quinta-feira, 22 de agosto de 2024

DEMOCRACIA É UMA DECISÃO ÉTICA

 DEMOCRACIA É UMA DECISÃO ÉTICA


José Bernardo Toro A.

Fundacion Social - Bogotá


A Democracia é como.o Amor: não se pode comprar, não se pode decretar, não se pode propor. A Democracia só se pode viver e construir. Por isso ninguém pode nos dar a Democracia.

A Democracia é uma decisão, que toma toda uma sociedade, de construir e viver uma ordem social onde os Direitos Humanos e a vida digna sejam possíveis para todos.

A Democracia não é um partido político, não é uma ciência nem uma religião; a Democracia é uma forma de ver o mundo, uma cosmovisão, que parte do suposto de que fazer possíveis e cotidianos os Direitos Humanos e uma vida digna para todos é o que justifica todas as atividades de uma sociedade (políticas, econômicas, cultural, financeiras, educativas, familiares, etc.).

Em outras palavras, a Democracia é uma Ética.

A Ética é a capacidade de criar e escolher uma forma de viver, que consiste em fazer possível a vida digna para todos.

Por isso a Democracia uma forma de construir a liberdade e a autonomia de uma sociedade, aceitando como seu fundamento a diversidade e a diferença.

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

COMÍCIO POLÍTICO

 

COMÍCIO POLÍTICO

Estorinha dos bichos contada por Carlão Coimbra


Um dia, no tempo em que os bichos falavam, eu era um Papagaio, e morava lá no mato quando ouvi o discurso de uma Gambá muito sábia.

Aprendi falar a língua dos homens com o carreiro João José. Isso me facilita comunicar com os homens também.

Agora vou contar ao Bruninho que vai escrevendo para as crianças, um pouco da vida dos bichos que moram na floresta.

(Papagaio falando:)

Foi assim, amigo Bruninho, que aconteceu um dos maiores eventos:

A DONA GAMBÁ DIANTE DOS BICHOS REUNIDOS TIROU DA BOLSA UMA FOLHA DE SAMAMBAIA E SEGURANDO COM FIRMEZA, LÁ DE CIMA DO TOCO COMEÇOU DISCURSAR BEM ALTO:

Nós, os animais, unidos, formamos uma população muito grande e importante! (PALMAS) da plateia. Porém fomos maior...

Sabemos que somos de espécies e famílias diferentes... Diferentes sim, mas habitamos o mesmo planeta onde dependemos uns dos outros.

Não existe um bicho igual ao outro ·· e a NATUREZA pertence a todos.

Somos "indivíduos”, temos personalidade (Palmas).

Aqui no mato não é uma granja!

Nascemos livres, somos livres e queremos continuar livres. (Palmas)

Não sabemos quantos somos nas várias espécies que existem debaixo do sol e da lua.

Vivemos o dia a dia sem contar as horas. Nos orientamos pelos ventos e pelas sombras. Sem pensar no futuro vamos construindo o nosso amanhã naturalmente. Vivendo o presente conforme nossa natureza recomenda comemos apenas quando temos fome e sem hora marcada. Quase nunca enchemos a pança porque precisamos sempre de disposição pra correr, lutar ou fugir. Ficamos com preguiça só quando estamos muito seguros e entre amigos. Nosso olfato nos orienta constantemente, muitas vezes nos alertam. Sabemos onde estamos e o que nos rodeia, sentimos de longe o cheiro da chuva. Pouquíssimos de nós acumulam alimentos como fazem as formigas debaixo do chão, apenas, às vezes enterramos um alimento pra comer depois.

Também alguns de nós gostam de aproveitar o resto de alimentos que sobrou dos outros bichos, aqueles chamados carnívoros... No dia a dia mostramos para nossos filhos o que aprendemos com nossos pais e eles seguindo nossos exemplos, vão ensinar os filhos deles quando nascerem a fazer o mesmo. Vivemos em grandes bandos ou em pequenos grupos. Mas alguns gostam de namorar, acasalar e ficar só os dois, meio que escondidos dos homens e de predadores nossos; assim saímos da toca só a noite. A minha raça é assim. Eu fico só com a família, quase ninguém chega por perto. Não sei porquê!? Será que não gostam do meu cheiro? (risos e palmas) (Assobios do Bem te vi. Risadas da Siriema...)

Alguns de nós fazem casas permanentes outros vivem mudando de lugar e outros nem casas próprias têm. Uma coisa é certa: Estar sempre atento e perto de onde tem água. Água nos atrai muito. Ela é necessária para todos. Sem ela não podemos viver. Muitos nascem e moram dentro dela. Dizem que lá longe existe um mar... "um pato preto bico de viola" me contou quando chegou de viagem.

Todos bichos sabem nadar, eu nado muito mal mas se cair no rio dá pra chegar e agarrar nos ramos da beirada (Rsrsrsrzrz)

Alguns bichos entram no rio e saem rápido outros ficam brincando dentro dele. E outros nunca saíram dele. Nasceram nele, moram lá, são os peixes. Os jacarés se misturam na água e no barro. Na água existem muitos outros bichos que nem conhecemos ainda. Entre aqueles que voam alguns saem pelo céu fazendo algazarra e acrobacias um verdadeiro enxame.

Conheço pássaros que ficam apenas com a família, esses não sabem voar muito bem e ficam pegando bichinhos andando pelo chão as vezes pulam para cima dos cavalos das vacas. As plantas gostam muito deles porque eles comem os bichinhos que mordem elas. Aqueles que voam alto e querem ir longe devem obedecer as lideranças! O risco lá em cima perto das nuvens é grande e a viagem é longa... mais de dois mil quilômetros, sem disciplina não dá certo. Por isso devem aprender com experiências anteriores pra saberem como pousar, onde tem alimentos e ventos amigos: Isso é regra geral. Quando nossos filhos nascem, a mãe cuida, muitas vezes, o pai também. Nós, os bichos, AMAMOS nossos filhotes. Somos capazes de dar a vida por eles. Por isso temos preocupação de fazer nossos ninhos como um esconderijo. Ficamos muito tempo perto deles. Queremos que eles aprendam e sigam os nossos passos. Aqui todos trabalham! Acordamos trabalhando! Aqueles que sabem música cantam pra todos ouvirem, outros assoviam. Cantores são bichos de destaque entre nós. Cantam bonito, ficam famosos. Mas acho que o trabalho deles de verdade é cantar pra animar a gente trabalhar. (Rsrsrsrz)

A principal lei que organiza nossa vida é matar apenas se for preciso pra alimentar a gente ou os filhotes ou então para não morrer. Não precisamos pensar no futuro porque não estragamos o presente! Assim sempre existirá o amanhã bem parecido com o hoje. Estamos no mundo antes dos homens. Sabemos que aqui as coisas não são fáceis. Nossa sorte é que os maiores, os mais fortes, não são os mais espertos e cruéis. Muitas vezes são os pequenos que mostram o caminho e a comida para os grandes. Desta maneira passamos a ser mais respeitados na parceria. Um precisa do outro! Claro que num descuido a gente pode virar comida deles. Existem casos de um bicho defender o outro, com unhas e dentes. Dizem os homens que entre nós existe uma lei que chama “A lei do mais forte". Mas eu, pessoalmente, gosto da lei do mais esperto. Mas é ser "esperto" no bom sentido. Cauteloso, talvez... (palmas) conhecedor... daquilo que está acontecendo no momento.

Sabem companheiros (falou a gambá): Os homens, são relativamente novos no planeta. Quando eles apareceram e nossos parentes já estavam aqui há muito tempo. Acho que por isso eles (os humanos) vivem diferentemente de nós... Tem um índio amigo da nossa turma que mora aqui no mato que também têm muito medo deles. O índio fala assim "Eles, os homens civilizados" não sabem o mal que fazem conosco quando destroem as casas dos animais silvestres, também sujam e contaminam nossa água. As vezes precisamos migrar. Ir pra longe. Pois dizem que eles, os homens, têm o poder do fogo. Mataram meu amigo ouriço só porque comeu umas espigas de milho. Usaram um tal de veneno nas sementes e milhares de passarinhos também morreram. Hoje, a comida que eles mesmos plantaram é cheia de remédios e as sementes das espigas que colhem não nascem outras plantas.

As crianças de agora, são boas de cabeça e de coração. Não usam mais estilingue nem arapuca. Ficam bravas com quem maltrata animais. São estudiosas! Temos esperanças nas professoras e professores que trabalham por um mundo melhor.

P.S. Por quê a gambá foi escolhida para fazer o discurso? Resp... Porque ela é uma marsupial, mãe que carrega os filhinhos na bolsa até eles se acostumarem um pouco com a vida fora do corpo da mãe. Essa espécie tem cheiro forte justamente porque não correm muito bem e assim esse cheiro que exala é uma das defesas contra seus perseguidores.


Carlão Coimbra


terça-feira, 6 de agosto de 2024

BERÇO DA VIDA


Carlão Coimbra

Parece tão simples viver. Quantas vezes pensamos que fazemos parte de um fenômeno natural?

As regras básicas para a proteçãdos que vivem são inicialmente fornecidas pelo instinto. Para quem mora no mato uma folha que cai tesignificado. Para quem não conhece onde esta uma folha ou uma árvore não significa nada… lembrando a música de Gonzaguinha: “Somos eternos aprendizes” para um dia sermos “Os cuidadores do planeta”. O processo é longo e devemos estar atentos.

Vemos com alegria das crianças vivendo em contato com a natureza. Mesmo sem irem a escola, aprendem que as árvores não frutificam ao mesmo tempo, assim elas esperam setembro pra chuparem jabuticaba. Sabem também que em novembro já têm mangas no pé. E não tem mais jabuticaba. Assim variando umas com outras, as árvores fornecem alimentos o ano todo. Isso é um exemplo básico para falarmos de sustentabilidade... das frutas que caem no solo vem a fermentaçãdelas para nutrir as próprias raízes das árvores que produzirão os frutos e folhas. O sol envia energia para transformar quimicamente os vegetais, os animais... o ar…, e vem a chuva que molha o chão … e escorre peltronco aprofundando nas raízes pra chegarem pelos canais subterrâneos aos olhos d'água no brejo, formando então inúmeras nascentes…

Uma espécie de árvore “descansa” enquanto outras começam a produzir seus frutos.

Escolhi como exemplo esse quadro ambiental bem comum para iniciarmos uma conversa sobre biodiversidade, assunto que me atrai muito.

Sempre estou aprendendo com José de Itabira, Pedro HVaroni, José RDel Valle e muitos outros... eles sabem que me encanto com árvores, com bichos, águas, noites, luas, sol, ventos… nuvens… e gente também, claro…

Quando menino eu observava que as penas que caiam das aves, não eram iguais, embora fossem da mesma espécie de pássaro. Fiz coleção delas. Todas eram muito parecidas mas eram diferentes… eu percebia detalhes. Precisavam ser diferentes porque elas tinham as funções específicas para os pássaros… não apenas para elvoar, mas também para proteção, beleza, atração, camuflagem, agasalho… Ontem encontrei uma folha de goiabeira no chão, depois outra e outra, nenhuma das cinquenta que examinei eram iguais, apenas semelhantes. as formas da natureza são harmônicas e essa harmonia acontece pelas diferenças que sãas vezes marcantes, outras vezes muito sutis, são quase imperceptíveis. Tudo igualzinhnão é bonito, nem equilibrado e nem produtivo. Muito menos estável... ainda bem que a natureza não produz nada iguai senão, nós não estaríamos aqui individualmente, somos frutos de pessoas diferentes (pai e mãe) e somos indivíduos(únicos).

As indústrias feitas pelo homem produzem em série, tudo igualzinho: sapato 42 tem milhões deles. Todos passaram por controle de qualidade para saírem iguais das maquinas iguais. Assim, o que fazemos industrialmente não é como a natureza faz. Árvores produzidas em laboratório sãimitações grosseiras das naturais. Interessante que quando fazemos nossos pratos a recomendação é que a mistura deve ser mais nutritiva, do que apenas carnes ou só alface ou macarrão apenas…, embora a gente não perceba no dia dia, lá no fundo, a nossa intuiçãestimulgostarmos da diversidade. Por isso não devemos adulterar a natureza, é mais fácil acompanhá-la e respeitá-la como sendo nossa professora. Por exemplo na natureza vemos cores (não é mesmo?), as cores que misturamos por conta própria num pedaço de papel nos encantam ou nos decepcionam. Mas na natureza sempre existe beleza na mistura que acontece. Mistura de sabores também nos atraem pelpaladar. tentativa de criar sabores(industriais) não substituem os naturais. Por algum tempo usamos e depois enjoamos…

Somos filhos das diferenças, iniciando, pelo sexo masculino e feminino, vemos essa “ordem” também para os animais e vegetais. Observando o “comportamento” dos animais, dos vegetais, diante das temperaturas, no frio, no calor, na água e diante do fogo… Sei que alguns vão dizer que eu falei “o óbvio”. Sim, isso mesmo, eles não estãmentindo, nem errados estão, porque, se não viram até agora nenhuma novidade no que falei... eu direi então… que, eles têm razão… se ainda nãperceberam que... na música apreciamos a “combinação” de diversas notas que o compositor conseguiu uma harmonia com notas diferentes…

Hoje nas maravilhas que a internet nos traz vemos um mundo que dá oportunidades para entender que a vida: “O Sopro de Deus” surgiu por existir boas condições de temperatura, pressãpara continuar através de diferentes formas que fica assim ainda mais maravilhosa: temos um compromisso com a diversidade biogica que veio se adequando ao meio ambiente desde bilhões de anos até surgir o homem. Sem essa condição o sagrado Sopro de Deus não teria sido incorporadoPortanto não é novidade “somos frutos também da diversidade” (biodiversidade).

Por esse motivo devemos ser tolerantes com os diferentes desde que não comprometam o que pertence a todos, por exemplo as condições adequadas para VIDA continuar. Obviamente falo de Gaia. O planeta vivo!


CarlãCoimbra

sábado, 3 de agosto de 2024

MUZAMBINHO: "UM BOM LUGAR"

MUZAMBINHO: “UM BOM LUGAR”

     A maior parte das nascentes d’água de Muzambinho, estão localizadas na região que limita os estados Minas Gerais/São Paulo. As nascentes formam muitos regos d'água que existem na extensa Serra de São Mateus. Do lado de cá, em direção a cidade são águas que sustentam a Bacia do Rio Grande. Do lado de lá da Serra, as águas correm para o estado de São Paulo, contribuindo com a bacia do Rio Pardo. Centenas de olhos d'água formam pequenos regos d'água, que vão aumentando de volume e viram bem caipiramente "corgos". Alguns passam a ter nomes de bichos, de gente e de santos... conforme inspirações ou de acontecimentos regionais. Por exemplo, existe aqui no município o Córrego da Onça, Córrego da Prata sendo esse talvez o maior e mencionado poeticamente por Uriel Tavares. Córrego do Pinhal… Lavapés, dos Alves, dos Turcos... etc. Os filetes d’água que inicialmente desceram sobre pedras chegaram até a baixada arenosa no pé da Serra. Ali, árvores mais apropriadas à região vão formando "matas ciliares”, para, entre outras funções ecológicas, protegerem melhor os córregos. Em troca as águas contribuem umedecendo o solo onde as árvores estão. Beirando as águas ficam as belas e fortes folhagens de capituvas envolvendo misturadas a pequenos arbustos entrelaçados a cipós e trepadeiras, assim, protegem e produzem pequenas sementes e frutos para peixes, sapos, caramujos, conchas. Pequenas pedras roladas no fundo do leito formam um ambiente aquático bem diferenciado do anterior lá na serra pedregosa. Acompanhando mais um pouco a trajetória das águas, obviamente pelo declive de 1.100 metros a mais ou menos 800 metros... durante o percurso pelo município formam as várias pararacas, que anunciam estar próximo às cachoeiras… Após as águas terem corrido cinquenta quilômetros na forma de pequenos rios, elas se encontram lá no bairro Barra Bonita, formando todas juntas o Rio Muzambo, que foi assim batizado pelos escravos foragidos da escravidão da região de Varginha, Campanha, Lavras... etc. Eles desceram provavelmente pelos Rios Verde e Sapucaí, em pequenos grupos, aos poucos vieram caminhando pelas margens outras vezes nadando até encontrarem rios menores difíceis de navegar. Batizaram um deles com nome: MUZAMBO. Na língua africana(lá deles) significa "bom lugar".

      Por aqui na região de Muzambinho, hoje, segundo vários estudos publicados por pesquisadores, aquelas pessoas que desejavam liberdade ficaram morando aqui por ser longe dos grandes rios navegáveis por onde passavam seus perseguidores os terríveis "Capitães do Mato".

    Assim, na região, vários pequenos povoados foram aos poucos sendo construídos, mas não chegaram a ser um Quilombo. Angolinha, Moçambo, Mocambinho são nomes que sugerem ter sido colocado por gente que viveu procurando LIBERDADE!


Carlão Coimbra

01/09/2022

SINAPSES POÉTICAS - BRAINNET DE GAIA

  Sinapses Poéticas Instituto Pensamento Presente BrainNet de Gaia Na trama invisível das mentes que se tocam, uma BrainNet pulsa como ...